quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Oferta à Mãe d’Água (para cura emocional)



Oferta a Mãe d’Água (para cura emocional)

Num pedacinho de palha, escreva algo que tira sua paz (sentimentos ou situações, nunca pessoas). Consiga uma concha de praia ou um caracol abandonado. Dentro do caracol, coloque a palha e diga:

“Mãe d’água, senhora das emoções, te entrego minhas aflições, pedindo que as leve para longe de mim. Por sua ajuda, como forma de gratidão, te entrego esta oferenda, do fundo do coração”. 

Dentro da concha, coloque um pequeno cristal (quartzo, ágata, água marinha ou amazonita) como oferenda. Jogue num rio ou lago. Nas margens, deixe flores, agradeça e saia sem olhar pra trás.

Oração de purificação e despertar das virtudes


Oração de purificação e despertar das virtudes
(para Begorotire, divindade indígena da chuva)

Generoso senhor que habita no céu, mestre Begorotire.
Vós, que inconformado com a injustiça dos homens, subiu aos céus e derramou sua chuva purificadora sobre a terra.
Vós, que nos ensina sobre generosidade e perdão, ao dividir suas sementes com a humanidade e regar nossos campos.
A vós, amigo e mestre, peço auxílio para que meu senso de justiça e minhas boas virtudes sejam despertadas.
Que sua chuva de bênçãos purifique meu corpo e minha alma, para que assim, eu seja digno de plena alegria, fertilidade e prosperidade.
Grande Begorotire, a ti agradeço e reforço minha devoção.

(OBS.: Enquanto ora, coloque as mãos sobre uma cumbuca com água da chuva e, com essa água, purifique-se após a oração. Como agradecimento, deixe como oferenda para Begorotire, uma cabaça com sementes)

~ Raj Endi Porã ~
Ilustração: Walde-Mar de Andrade e Silva

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Linha do Haiti

Dentre as quinze linhas de culto que compõem a Corrente Colona, temos a Linha do Haiti, que reúne divindades e espíritos cujo culto tem origem na região do Haiti. Abaixo, uma lista dessas divindades.

Adjassou-Linguetor - Deusa haitiana que governa as águas das nascentes.
Adjinakou - Loa haitiano sob a forma de um elefante.
Adya Houn'tò - Loa haitiano dos tambores
Agassou - Loa haitiano que guarda as tradições daomeanas.
Agwe
Agwe - Loa dos peixes e plantas aquáticas.
Aido Quedo - Loa da fertilidade e das cobras.
Ayida-Weddo - Deusa haitiana, também conhecida como Serpente arco-íris. É casada com Damballa.
Ayizan - Deusa haitiana do mercado.
Azaka Medeh - Loa da colheita.
Azaka-Tonnerre - Deus haitiano do trovão, da agricultura e dos agricultores.
Bacalou - Vodou haitiano que comanda os maus espíritos, representado pela caveira e ossos cruzados.
Badessy - Deus haitiano do céu.
Baron La Croix - Loa dos mortos e da sexualidade.
Baron Samedi - Loa dos mortos.
Boli Shah - Família loa haitiana.
Bossou Ashadeh - Loa haitiano, rei do Dahomey.
Boum'ba Maza - Família loa haitiana.
Bugid Y Aiba - Deus da guerra haitiano (e porto riquenho).
Captain Debas - Família loa haitiana.
Clermeil - Deus haitiano de águas correntes.
Congo - Divindade do Vodou haitiano.
Damballa - Pai dos loa e da humanidade.
Dan Petro - Deus haitiano dos agricultores.
Dan Wédo - Loa haitiano do rei de França.
Diable Tonnere - Deus haitiano do trovão.
Diejuste - Divindade no Vodou haitiano.
Dinclinsin - Divindade no Vodou haitiano, temido pela sua severidade.
Eleggua
Eleggua ou Eshu - Divindade trickster criança.
Erzulie Dantor - Deusa da riqueza, vingança e proteção. É sincretizada com Nossa Senhora de Czestochowa.
Erzulie Freda Dahomey - Deusa da beleza, dança, flores, jóias, amor e luxo. Casada com Damballa, Agwe e Ogoun. Ela é sincretizada com Mater Dolorosa. Também chamada de Mami Wata, na mitologia africana.
Gran Ibo - Deusa haitiana da sabedoria e paciência.
Gran Maître - Deus criador haitiano.
Grand Bois - Loa haitiano da criação.
Kalfu - Deus haitiano da noite, simbolizada pela lua.
Lemba - Divindade do Vodou haitiano.
Limba - Loa haitiano que vive entre rochas. Existe a crença de que tem uma fome insaciável e come pessoas, até mesmo os seus próprios seguidores.
L'inglesou - Loa haitiano que vive entre as rochas e em ravinas.
Loco - Deus haitiano de árvores, plantas e curandeiros.
Lutin - Origirado a partir do fantasma de uma criança que não foi batizada na tradição do Vodou haitiano.
Mademoiselle Charlotte - Loa haitiano que lembra as mulheres caucasianas.
Mait' Carrefour - Deus haitiano dos magos, Senhor das encruzilhadas, também chamado de Kalfu.
Maîtresse Délai - Loa haitiano que é um patrono do hountor (instrumento de cabaça) e dos tocadores de tamborim.
Maîtresse Hounon'gon - Loa haitiano que rege a provação pelo fogo na tradição vodou.
Maman Brigitte
Maman Brigitte - Loa das almas e da morte.
Marassa - Os deuses gêmeos do Vodou haitiano.
Marassa Jumeaux - Os fantasmas de gêmeos mortos.
Marinette - Loa haitiano, violento e poderoso.
Mambo - Loa haitiano que traz tempestades.
Mounanchou - Divindade do Vodou haitiano.
Nago Shango- Divindade do Vodou haitiano.
Papa Legba - Intermediário entre o loa e à humanidade.
Pie - Deus haitiano de inundações, soldado loa.
Simbi - Loa cobra d'água haitiano, que é um dos três vodou serpentes cósmicos.
Sobo - Deus haitiano do trovão.
Sousson-Pannan - Loa haitiano que acredita-se ter domínio sobre o mal, seu corpo é coberto de feridas.
Ti Jean Quinto - Um espírito haitiano médio que vive debaixo de pontes e assume a forma de um policial.
Ti Malice - Trickster, loa haitiana.
Ti-Jean Petro - Divindade cobra haitiana, filho de Dan Petro.
Yemalla - Deusa mãe Yoruba, também chamada LaSiren, Mami Wata.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Magia Prática com o Mestre Babaçu

Confira a seguir, o vídeo gravado na Vila Pagã, com Pai Francisco Borges e Rafael Nolêto, abordando os ensinamentos do Mestre Babaçu e mostrando a magia prática envolvendo sua energia. 

 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Banho para Prosperidade (na força de Guaraci)


Este banho mágico pode ser feito para atrair a energia de prosperidade, utilizando a força de Guaraci, divindade solar, nativo do panteão brasileiro.

INGREDIENTES:
- Um litro de água;
- 08 folhas de pata-de-vaca;
- Um punhado de raiz de vetiver;
- Um punhado de folhas de pitangueira;
- 05 folhas de mangueira;
- 03 flores de ipê amarelo;
- Uma vela amarela e uma pedra comum (que servirá de suporte para a vela);
- Uma garrafa ou pote de vidro, com tampa.

PREPARO:
Num domingo pela manhã, ferva um litro de água. Apague o fogo, coloque as ervas no caldeirão, depois tampe e deixe descansar por alguns minutos. Coe o líquido e coloque em uma garrafa de vidro. Deixe a garrafa, por pelo menos meia hora, em um local iluminado pelo Sol. Peça ao Deus Guaraci para que ilumine o banho sagrado, concedendo suas bênçãos de riqueza e prosperidade. Como agradecimento a Guaraci, vá aos pés de uma mangueira ou ipê e acenda uma vela amarela sob uma pedra comum (desenhe o símbolo do sol na pedra). As ervas utilizadas para preparar o banho podem ser dispostas ao redor da vela, aos pés da árvore. O banho deve ser utilizado no mesmo dia e pode ser tomado de corpo inteiro. Se preferir, ao invés de colocar as folhas na água quente, você também pode macerar.

~ Raj Endi Porã ~

quarta-feira, 30 de março de 2016

Deusas Anciãs Brasileiras

O panteão brasileiro possui várias divindades que ainda são pouco conhecidas entre os adeptos dos neopaganismos no país. Essas divindades possuem grande força mágica, extremamente ligada à nossa terra e, por isso, merecem mais de nossa atenção. A seguir, vamos conhecer um pouco sobre três divindades brasileiras, essencialmente relacionadas ao sagrado feminino e à sabedoria das anciãs.

YANUBÊRI - Representada como uma avó. É uma Deusa ancestral indígena, muito poderosa. Sacerdotisa-chefe das festas das flautas sagradas, é ela quem permite o acesso aos mistérios de Jurupari. Segundo um mito Mundurukú, Yanubêri tinha dois irmãos mais jovens: Marimarabê e Mariburubê, a quem concedeu permissão para entrar na Ekça, casa de culto onde eram guardadas as flautas sagradas da aldeia. Antes, a Ekça era habitada apenas por mulheres e os homens não podiam entrar. A partir da entrada dos dois irmãos na casa, se apossaram das flautas e os homens da aldeia passaram a dividir o poder com as mulheres. Apesar do ocorrido, a "sociedade das mulheres" não foi desfeita. No Piaganismo, evoca-se Yanubêri para questões relacionados à abertura da visão e de caminhos. Ela torna acessível o que está inacessível, para aqueles que são merecedores. Como oferendas, ela recebe flautas de bambu, apitos, cuia com macaxeira, mel, peixe enrolado na folha de bananeira. 

YEBÁ BELÓ - Considerada a "Avó do Universo". É aquela que nos ajuda a desenvolver a maturidade, a sabedoria para fazer as escolhas certas, a encontrar soluções para questões que nos afligem. De acordo com o mito, foi a partir de utensílios invisíveis que Yebá Beló fez a si mesma. Após surgir, criou a luz, através de três trovões. Dos primeiro trovão surgiu Emeko, um ser invisível que utilizou a energia os outros dois trovões para criar o Sol, o Homem e os animais. Enquanto isso, Yebá Beló criou a Terra, usando sementes do seu seio esquerdo e adubando com leite do seio direito. A povoação deste novo mundo ocorre quando dois índios, Curu e Rairu, enviados por Tupã, puxam pessoas por uma corda estendida, que os traz para habitar a terra. No Piaganismo, Yebá Beló aceita como oferendas cuia com leite natural, milho cozido, grãos e sementes, além de cânticos e orações.

YUSHÃ KURU - Deusa feiticeira, possui o dom do curandeirismo. Conhecida como "A Fêmea Roxa", Yushã pode ter sido uma ancestral divinizada, pois foi responsável por ensinar a magia da cura para os xamãs Kaxinawás. Com a ajuda dos conselhos de Yushã Kuru foram criados os primeiros remédios e venenos, a base de folhas e elementos naturais. Ela é a conhecedora das folhas que curam todos os males, tanto picadas de animais peçonhentos como também doenças dos homens e animais. De acordo com o mito, Yushã Kuru não ensinava seus conhecimentos para ninguém e sempre utilizava seus remédios mágicos de forma escondida de todos. Mas a Velha Roxa decidiu que ensinaria seus conhecimentos de ervas para o neto, com quem compartilhou todos seus segredos, o iniciando na pajelança e nos mistérios da floresta. Com a sabedoria de Yushã, é possível abençoar e amaldiçoar, enfeitiçar ou tirar maus espíritos da pessoa. No Piaganismo, Yushã Kuru auxilia em trabalhos de cura e limpeza. Ela recebe como oferendas cachimbo ou fumo de rolo, maço de ervas aromáticas, incensos herbais e cânticos.


BIBLIOGRAFIA:
SAMPAIO, Fernando G. As Amazonas, Tribo das Mulheres Guerreiras (A derrota do Matriarcado pelos Filhos do Sol). Editora Aquarius.

terça-feira, 29 de março de 2016

Folharal



O Folharal é a divindade piaga responsável pelo brotamento das folhas das árvores. É um mito amazônico de origem indígena e também cabocla, ou seja, os relatos sobre essa entidade sofreram influências multiculturais ao longo dos anos.

Alegoria em homenagem ao Folharal,
no Festival de Parintins (AM)
Em algumas regiões do Nordeste brasileiro, durante os meses mais quentes, a vegetação nativa perde completamente suas folhagens, deixando a paisagem com aspecto árido. No mês de dezembro, com a chegada das primeiras chuvas, as folhas das árvores começam a brotar e o sertão é coberto pelo verde novamente. É o Folharal quem desperta a vida no sertão, passando pelas matas de caatinga e cobrindo tudo com seu manto verde que revigora a natureza.

Já na região Norte do país, o Folharal é associado especialmente à proteção da fauna e da flora, sendo evocado para combater aqueles que ousam invadir e desafiar seus domínios. É uma entidade típica do interior das matas. Não é de se manifestar muito entre os humanos, mas pode surgir para alertar ou punir aqueles que provocam desordem na natureza.

Ele tem o poder de se camuflar, se transformar em qualquer árvore ou cipó. Também pode fazer os invasores ficarem perdidos na mata, sem nunca encontrarem o caminho de volta pra casa. Tem o dom da cura e detêm o segredo das folhas sagradas.

No Piaganismo, o Folharal é celebrado em dezembro, durante a Festa da Vida (21/12), que corresponde ao período em que começam as chuvas. Também é honrado durante todo o período verde, enquanto duram as chuvas.

Apesar de a relação com o Folharal exigir certa devoção e intimidade, ele pode ser evocado para questões que envolvam cura, fortalecimento e proteção. Como oferendas, o Folharal recebe arranjos de folhagens, samambaias, sementes, coroas de cipós, velas verdes, mel e cestos com frutos típicos.

A seguir, veja um trecho da apresentação do mito do Folharal pelo Boi Caprichoso, durante o Festival de Parintins.


Bicho Folharal [Boi Caprichoso]
(Composição: Adriano Aguiar, Geovane Bastos)

A mata se disfarça
Muiracatiara, samambaia, jequitibá
Anda, caça
Folha caraná, cipó de fogo, jacarandá

Ele vai te caçar!
Ele vai te pegar!
Te condenar
O Espírito da Mata

Ele lerá a tua sentença, caçador
E desaparecerá na floresta
Motosserras, correntes, tratores
Armas de fogo ele destruirá

Forte como o mogno, veneno de timbó
Rosto de folhagem, corpo de cipó
Troncos, galhos, bicho, fera
Assombra o caçador

Bicho Folharal, Bicho Folharal
Bicho Folharal, Bicho Folharal
ô, ô, ô
Corre o caçador!

Bicho Folharal, Bicho Folharal
Bicho Folharal, Bicho Folharal
ô, ô, ô
Corre o caçador!

Alegoria gigante representando o Folharal, no Festival Amazônico de Parintins
O Boi Garantido também possui uma toada dedicada ao Folharal. No vídeo abaixo, a partir dos 3 minutos é possível assistir a apresentação do mito do Folharal pelo Boi Garantido.

 

Bicho Folharal [Boi Garantido]
(Composição: Demetrios Haidos, Geandro Pantoja)

Se a floresta chorar
E arpejar um clamor
Um herói surgirá é o seu protetor
Gigantesco homem camaleão
Camuflado com a vegetação
Bicho folharal
Seus braços são galhos de castanheira
Pernas de sumaumeira
E fragrância de pau rosa
Seus cabelos são folhagem
Seus olhos de esmeralda
Derramam lagrimas de seiva selvagem
Criatura enviada pela mãe da mata veio pra salvar a natureza
Na cobiça de bio-piratas e mercenários madeireiros
É o protetor do nosso ouro verde
Bicho folharal
Bicho folharal (bis)